5 de outubro de 2014

Curso de Inverno 2014 no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos

Nas férias de inverno eu fiz um curso em São José dos Campos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Este curso é organizado anualmente nas férias de julho, dura 3 semanas, onde as duas primeiras são palestras dos mais variados temas, visita ao observatório, a central de visitantes e ao Laboratório de Integração e Testes (LIT, que faz testes em satélites). Na segunda semana um estágio com algum pesquisador ou professor do INPE, eu estagiei no Laboratório de Sistemas de Potência.

Laboratório de Integração e Testes no INPE (fonte)
A central de visitantes e o LIT, eu já conhecia de uma visita que fiz ao INPE em 2011, na Semana de Engenharia Elétrica da FEEC. A central de visitantes fala um pouco da atuação do INPE, tem maquetes, algumas em tamanho real dos satélites já lançados, como o SCD 1 e 2, que já têm mais de 20 anos e ainda funcionam, do CBERS, que são satélites maiores fabricados em parceria com a China. Um pouco sobre a missão na Antártida, com as roupas usadas.

A visita ao LIT segue o protocolo, onde apenas é permitido visualizá-lo por cima (nas janelas da parte superior da foto), não é permitido tirar fotos, tanto que essa eu consegui no site da Agência Espacial Brasileira. No laboratório que eu fiz o estágio, eles acabam tendo que ir no LIT, pois fazem ou ajudam nos ensaios lá, fomos buscar um holofote para fazer nosso ensaio nas células solares (tema do nosso estágio). Com isso ganhamos um tour pelo por dentro do LIT, foi muito legal.

Além de teste de satélites, o LIT faz testes de homologação para indústria brasileira, usando câmaras anecóicas, de vaco, teste de vibração, entre outros (o Instituto Eldorado, que fica dentro do campus da Unicamp também tem alguns desses equipamentos). Assim ele tem forte integração com a indústria nacional, o que faz com que o ambiente de testes seja bem restrito, já que é bem possível que eles estejam fazendo testes com produtos ainda não lançados.

Vista do Laboratório de Integração e Testes (LIT) por fora
As palestras foram sobre os mais variados temas, passando por todas as partes do funcionamento de um satélite, como estrutura, processador, como o controle de atitude, controle de orbita, controle térmico, sistema de comunicação, componentes usados, cablagem (passagem de cabos pelo satélite, existem muito, alguns ainda sendo duplicados ou triplicados para backup), provavelmente outros que esqueci.

Também foi apresentada uma tendência de pequenos satélites, conhecidos como Cubesats, sendo um cubo com lados de aproximadamente 10 cm, ou a junção de vários cubos, seguindo um padrão. O próprio INPE tinha lançado alguns dias um cubesat na Rússia, que foi um completo sucesso, ele contém alguns sensores e transmite dados para algumas estações na Terra. Existe toda uma discussão se isso apena não aumentaria o número de lixo espacial na orbita da Terra. O maior projeto universitário do tema no Brasil é o ITASAT.

Palestras de fora da área de satélites em si também me chamaram atenção. Sobre sensoriamento remoto foi explicado sobre a captação de imagens e processamento. Para quem não sabe o INPE é encarregado de fazer o levantamento do desmatamento da Amazônia, acredite, não é um processo fácil. Existe todo o processamento de imagens, onde cada foto de satélite tem que ser georreferenciada e analisada individualmente para ver como o desmatamento avançou desde o ano anterior.

Portaria do INPE
Foi ministrada uma palestra sobre Wavelet, que também ouvi muito falar na Unicamp, mas já é um tema para pós-graduação. Seria algo como uma Transformada de Fourier, que preserva alguns detalhes importantes dos dados a serem analisados.

Um coronel do exercito (formado no ITA) falou sobre o programa PESE (Programa Estratégico de Sistemas Espaciais), esse programa abrange toda área espacial do Governo Brasileiro. Um satélite de comunicações que o governo comprou (cuja empresa que gerencia o projeto é a Visiona), os próximos, centro de controle, entre muitas outras coisas. Uma das coisas que também cita é um sistema de posicionamento global (como o GPS americano, o GLONASS russo, o Galileo europeu ou o COMPASS chinês), o que, infelizmente, para o Brasil, por enquanto, se trata apenas de sonho, pois não temos praticamente nenhum dos requerimentos (para começar um lançador de satélites).

Cabine de um dos protótipos do Bandeirante no Memorial Aeroespacial Brasileiro em São José dos Campos
Foi realmente muito bom fazer esse curso, conhecer pessoas dos mais diversos estados do Brasil. Também conheci vários lugares em São José dos Campos, em especial o Memorial Aeroespacial Brasileiro, de onde vêm essas duas fotos de um protótipo restaurado do Bandeirante.

Bandeirante no Memorial Aeroespacial Brasileiro em São José dos Campos
Falando um pouco sobre a Unicamp, esse semestre estou fazendo uma matéria sobre fabricação de semicondutores no CCS (Centro de Componentes Semicondutores), um dos poucos e melhores laboratórios da área no Brasil. Irei fabricar um circuito integrado usando o método pMOS e nMOS.

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