9 de agosto de 2014

Placas de vídeo e jogos de computador

Comprei um computador novo este ano, meu antigo era de 2008 com um upgrade de placa de vídeo. Esse computador novo tem o desempenho próximo de um videogame de próxima geração, com um processador bem superior, um Core i5 de quarta geração, e uma GPU no mesmo nível do Xbox One, uma Geforce GTX 750.

Minha placa de vídeo anterior era uma Radeon HD 5670 com 512 MB GDDR5, uma placa muito guerreira, mas sendo segurada pelo processador Core 2 Duo, assim se tornava impossível rodar alguns jogos atuais.

Modelo de Referência da Geforce GTX 750
Com o mesmo dinheiro gasto numa placa da Nvidia poderia ter comprado uma AMD um pouco superior. No entanto, tive algumas frustrações com a placa da AMD que me fizeram querer mudar de marca. Um jogo muito aguardado por mim foi Rage de John Carmack, o criador de Quake e Doom, o jogo usa uma engine em OpenGL, em contraste a maioria absoluta dos jogos que usam DirectX. Só fui conseguir jogar alguns meses depois do lançamento, pois os drivers da AMD não suportavam o jogo (o jogo devia rodar a uns 2 quadros por segundo no lançamento).

Outra frustração foi com um jogo muito querido, Far Cry, o antigão de 2003. Jogava ele com a minha Geforce FX 5200, porém, obviamente com a qualidade comprometida. No site GOG de vez em quando ele entra em venda por um preço muito legal, com isso fui jogá-lo com a Radeon HD 5670, infelizmente não consegui passar nem da primeira fase, o jogo travava toda hora, apesar de conseguir rodá-lo no máximo. Com a Geforce GTX 750 não ocorreu nenhuma problema no Far Cry, o jogo é bonito até hoje.

Indo para o lado de drivers agora, a AMD libera a documentação de suas GPUs para os desenvolvedores de drivers open source, assim suas placas de vídeo contam com driver livres razoáveis no Linux, o problema é quando esses drivers simplesmente não são o suficiente para rodar alguns jogos do Steam do Linux, fazendo-se necessário o uso dos drivers proprietários, é ai que o problema começa. Uma coisa engraçada que aconteceu é que nem consegui instalar o Steam com o driver proprietário, tive que retornar para o livre e apenas depois do Steam instalado voltar para o oficial. Os drivers da AMD também costumam demorar para suportar novas verões do Xorg e ter bastante problemas com jogos em OpenGL.

Geforce Experience
Apesar desses 3 parágrafos a 5670 é uma baita placa e, com exceção do Far Cry, nunca me deixou na mão (o Rage foi aguardar o lançamento de drivers melhores). No Windows ela é muito estável e nunca causou telas azuis. Talvez um problema dela seja o aquecimento exagerado, mas diga-se de passagem que isso era comum na época que era foi desenvolvida. Em Idle, ou seja, com o Windows no Desktop, sua temperatura fica em torno de 50 ºC, caindo para 47 ºC em dias frios com o cooler limpo até 54 ºC em dias mais quentes com o cooler mais empoeirado.

A GTX 750 fica em torno de 26 ºC na mesma situação, colocando a mão no dissipador você sente ele frio. É bom frisar que estamos comparando gerações diferentes de placas, não dois modelos concorrentes, uma AMD nova teria, provavelmente, o mesmo comportamento. Em full, jogando, a 5670 chega a passar de 80 ºC (com o cooler limpo) e a 750 chega a no máximo 56 ºC.

A Nvidia desenvolve um programa chamado Geforce Experience, que é uma suite de otimização de jogos, onde, ao menos na teoria, configura o jogo para obter os melhores gráficos para o hardware do seu PC, na prática em alguns jogos consigo subir ainda mais a qualidade gráfica. Ele também mostra notificações de novos drivers de vídeo.

Cliente do Raptr da AMD
Um recurso muito interessante é o que permite gravar o gameplay (em versões recentes a área de trabalho também). Ao contrário do Flaps, sem praticamente nenhum efeito negativo no desempenho, já que utiliza hardware dedicado. A implementação é muito parecida com os consoles de nova geração, também permitindo gravar os últimos 15 minutos continuamente.

A AMD em parceria com o rede social gamer Raptr vem desenvolvendo um cliente, que além dos recursos da AMD também tem um programa de recompensas, que permite resgatar jogos conforme você acumula pontos, que são dados conforme você joga. O grande porém é que a quantidade de pontos é fora da realidade, mas também não da para sair distribuindo jogos de graça.

Para Nvidia é necessária um GPU da série 600 em diante para gravação de gameplay, para AMD da 77x0 em diante. Isso é devido a apenas a partir dessas séries as placas virem com um encoder de hardware, coisa que ironicamente foi a Intel que introduziu nas GPUs de seus processadores Sandy Bridge (processadores Core ix de segunda geração), mas é a única que não possibilita a gravação de gameplay.

A Geforce GTX 750 utiliza a mais nova arquitetura da Nvidia a Maxwell, apesar disso conta com suporte apenas ao DirectX 11 (DirectX 11.2 com nível de hardware 11_0, ou seja, 11), a AMD em algumas GPUs da série 7000 em diante já oferece esse tipo de suporte. Não existe suporte para decodificação de H.265 por hardware, formato que ainda não é comum, mas que passara a ser muito utilizado, pois oferece praticamente o dobro da compressão do padrão anterior.

Cliente do Raptr da AMD
A próxima geração de placas de Nvidia provavelmente usará um novo processo de fabricação, em 20 nm, em contraste aos 28 nm que já vem sendo utilizados a alguns anos (isso se a TSMC não atrasar ainda mais o esse processo de fabricação). Com isso é esperado algumas mudanças no chip, que espero que seja o suporte a decodificação de H.265 e os recursos faltantes do Directx 11.1 e 11.2. Uma coisa legal é que a Nvidia anunciou que todas as suas placas com suporte ao DirectX 11 terão suporte ao 12, que irá trazer acesso mais direto ao hardware, ou seja, menor overhead e maior desempenho.

No geral gostei muito dessa placa, ele é muito silenciosa, o consumo de energia (segundo reviews, infelizmente ainda não tenho como medir isso) é muito baixo, comparando com uma placa com mesmo desempenho da geração passada e equivalente da AMD, mas lembre-se essa é a nova arquitetura da Nvidia, portanto isso já era esperado, assim como é esperado o mesmo da especulada arquitetura Bonaire AMD.

3 comentários:

Beto T Vanzan disse...

Fala aí. Quando se fala de placa de vídeo, geralmente é associado com gamers, que querem melhorar o desempenho gráfico do jogo e a "jogatina" não travar. Para uma pessoa que só usa o computador para pesquisas e de vez em quando assistir alguns filmes, a placa de vídeo irá dar alguma melhoria? Considerando que numa tela de LCD de desktop tem alguma qualidade digital, o que pode haver de acréscimo de qualidade? Pelo que eu li, a placa irá poupar processamento de memória do computador, pois ela um "organismo" independente, tendo sua própria memória. Essa seria a única vantagem real, para quem não é gamer. Qual sua opinião sobre o assunto?

Ricardo disse...

Depende de qual é a sua "placa" onboard, se for alguma mais recente (da segunda geração dos processadore "Core" da Intel em diante, ou os AMDs Ax), não acredito que vá fazer muita diferença.

A questão é que se você tiver um Core 2 com uma GPU onboard pode ser melhorar, a própria interface do Windows é acelerada por GPU, o Chrome (pode ver que existe uma tarefa chamada "Processo de GPU", então a própria navegação pode melhorar, temos o WebGL agora, o Google Maps faz uso...

Agora se qualidade você fala por a imagem melhorar exibida no monitor, isso não... Principalmente se usar DVI ou HDMI...

Ricardo disse...

Ah, também tem a questão da decodificação de formatos de vídeo por hardware. Então com uma placa recente você consegue reproduzir vídeos em 1080p ou mesmo 4k sem nenhum problema. Coisa que fosse depende apenas do processador poderia ser mais complicado...