20 de abril de 2013

Livro Nos Bastidores da Nintendo de Jeff Ryan

Lembram daquele dito popular "Não julgue um livro pela capa"? Bem, eu tento não fazer isso, é muito fácil cometer esse erro. Não sei se títulos podem se enquadrar em "capa", mas o título desse livro me enganou e feio! Eu imaginava um livro de negócios, análise de caso, não sei, só que ele não trata disso. É um livro sobre a história da Nintendo, especificamente do personagem Mario, simples e puramente isso, não que seja ruim, mas é diferente do que imaginava, o nome do livro em inglês já diria isso: Super Mario: How Nintendo Conquered America.

Meu primeiro contato com o livro foi na Feira do Livro no Anhembi em 2012, no estande da Saraiva (a editora do livro) estavam distribuindo um livrinho com o primeiro capítulo. Contava a criação da Nintendo of America, a escolha de quem iria liderá-la, o genro do todo poderoso presidente da Nintendo japonesa, já que é comum colocar parentes nos cargos de confiança em empresas familiares, a Nintendo era uma.

Não considero que história seja spoiler, mas tenho que avisar que vou contar muitas das histórias abordadas pelo livro, então se não quiser saber, recomendo parar por aqui. 

No começo foi contado que a Nintendo entrou na onda dos jogos espaciais com Radar Scope, uma cópia de Space Invaders da Taito e de Galaxian da Namco, mas o jogo não vendeu! E ela ficou com 2000 gabinetes encalhados, existiam 2 escolhas, desovar os arcades por preço de banana ou modificar os arcades com um novo jogo. A segunda escolha era arriscada, mas a situação era ruim, então fazer o que? Foi contratado um cara para desenvolver um jogo para substituir Radar Scope, esse cara era Shigeru Miyamoto, que criou Donkey Kong, um jogo totalmente diferente dos que os Americanos estavam acostumados.

Gabinete de Donkey Dong
(fonte)
A Universal entrou com um processo contra a Nintendo por supostamente a Nintendo ter copiado King Kong, mas detalhe, anos antes a Universal tinha ganhando outro processo alegando que King Kong era de domínio público, então mesmo que a Nintendo tivesse copiado (coisa que não fez) o processo não teria validade. Só que outros fabricantes, como a Coleco, que viria a falira algum tempo depois, não tiveram a mesma coragem da Nintendo e aceitaram pagar royalties para Universal.

Em 1984 aconteceu o que ficou conhecido como Crash dos videogames, onde existiam diversos fabricantes, como a Coleco, Atari, Fairchild, Magnavox, Mattel, entre muitos outros, que lançavam toneladas de jogos sem nenhuma qualidade, até que chegou numa hora que as pessoas não compraram mais. Depois dessa "recessão" surgiu o Nintendinho, que apesar de desacreditado conseguiu de novo criar o mercado.

Com isso a Nintendo foi a única grande fabricante de videogames, fez o que quis com os desenvolvedores. Para evitar um novo crash, com péssimos jogos, ela limitou a quantidade de jogos que uma empresa poderia lançar por ano, obrigou as empresas a desenvolverem exclusivamente para ela.

Super Nintendo Americano (fonte)
Até que surgiu a Sega com o poderoso Mega Drive. Nunca tinha percebido isso, mas o Mega Drive foi lançado em 1988, dois anos antes do Super Nintendo, finalmente a Nintendo tinha algum concorrente de peso. Mesmo sendo mais velho, o Mega Drive tinha um processador mais poderoso, o que permitiu Sonic, um jogo que se movia muito rapidamente pela tela.

Outra fabricantes passaram a desenvolver outras tecnologias, como o Philips CD-i, lançado em 1991, que possuía compatibilidade com CD, isso permitia um aumento de mais de 100 vezes no tamanho dos jogos (Tales of Phantasia tinha 6 MBs), tirando a economia, porque cartuchos com jogos grandes saiam bem caro. A Sega correu atrás e lançou o Sega CD, a Nintendo também tentaria fazer o mesmo em parceria com a Sony, segundo o livro a Nintendo voltou atrás e a Sony com a tecnologia em mãos decidiu lançar o Playstation, que poderia ter se chamado Nintendo Playstation.

Nintendo 64 (fonte)
Nessa parte começa a ocorrer uma certa decadência da Nintendo. O Nintendo 64 foi lançado um ano depois do Playstation, contava com um hardware muito superior, mas usava cartuchos. O maior (usado em Resident Evil 2) tinha 64 MBs, contra os 650 MBs possíveis do CD, assim seus jogos não tinham vídeos pré-renderizados (Pokémon Puzzle League até tentou alguns segundos, mas a qualidade era péssima), enquanto Tony Hawk's tinha músicas completas, a versão do Nintendo 64 tinha que se contentar com partes e qualidade ruim delas.

Assim várias produtoras abandonaram a Nintendo, se destacando a Square, que algum tempo antes tinha desenvolvido Super Mario RPG. Final Fantasy VII estava sendo desenvolvido para o Nintendo 64, só que acabou indo para o Playstation devido ao espaço, é um jogo que entra para qualquer lista de jogos mais vendidos do Playstation. Apesar disso, os cartuchos possibilitavam jogos sem loadings, o Nintendo 64 teve muitos jogos épicos, como The Legend of Zelda: Ocarina's of Time e Super Mario 64, só que a Nintendo teve que se contentar com um segundo lugar.

Nintendo GameCube (fonte)
Para o próximo console a Nintendo não queria cometer os mesmos erros, mas o estrago estava feito, o Playstation 2 foi o grande vitorioso da geração. O GameCube foi o primeiro console da Nintendo lançado sem um jogo do Mario, ele usava mini DVDs com 1/3 do espaço do DVD usado no Playstation 2, como o DVD era menor, ele não rodava filmes, coisa que promoveu muito o Playstation, que devido ao custo dos players da época, você quase comprava um DVD player e levava um videogame de graça.

O GameCube não foi nenhum fracasso, mas teve que se contentar novamente com um longínquo terceiro lugar, atrás do Xbox da Microsoft (segundo a Wikipédia o Xbox vendeu mais de 24 milhões, contra 21,7 da Nintendo). A Nintendo precisava virar a mesa, ela não tinha condições de entrar na corrida do hardware da Sony e da Microsoft, ela não tinha o dinheiro das duas. É importante lembrar que a Sony vendia o Playstation 3 por 500 dólares no lançamento e ainda assim perdia dinheiro com cada venda.

Nintendo Wii (fonte)
A Nintendo voltou as origens, resolveu inovar em vez de concorrer nas especificações, lembram do Super Nintendo que tinha processador pior que o Mega Drive? Ou o fato da Nintendo ter passado sem nunca lançar um videogame 32 bit? Com isso ela criou o Wii, um videogame totalmente inovador, que mudou a maneira que as pessoas jogam videogame.

Jogar videogame passou a ser algo para família, não mais uma atividade de nerds. Fisioterapia passou a ser feita com videogame. O Wii é praticamente dois GameCubes um colado no outro, o processador é o mesmo, com um clock maior, idem para a GPU, e um pouco mais de memória, mas isso não foi problema para Nintendo, até porque ela conseguia vendê-lo pela metade do preço do PS3 e ainda ter muito lucro.

No fim tanto a Microsoft, com o Kinect, e a Sony, com o Move, tiveram que entrar na roda. Confesso que o Kinect foi o que mais me chamou atenção, mas mesmo assim o Wii não deixa de ser um baita videogame.

O livro é bom e conta toda essa história nos mínimos detalhes, sempre focando nos jogos do Mario, recomendo a leitura, apesar de achar os R$ 49,99 muito para um livro tão curto.

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