12 de janeiro de 2012

Algumas explicações sobre processadores atuais, AMD Fusion, Atom em Smartphones e tecnologia Quick Sync da Intel

Boot do Windows XP 64 Bit
Há quase 5 anos escrevi um curto post sobre os processadores de 64 bit lançados anos antes que não eram utilizados da maneira correta. Algumas coisas mudaram depois de todo esse tempo. A maioria dos novos lançamentos de hardwares passaram a contar com drivers para 64 bit, até computadores montados com 4 GB ou mais de RAM passaram a vir com a versão 64 bit, só que os programas, tirando raras exceções, ainda não. É apenas uma questão de tempo os desenvolvedores se adaptarem.

Gostaria de discutir outra coisa. Nesse meio tempo, com o lançamento da série 8x00 da Nvidia, foi inaugurado um novo tipo de processamento, o pela GPU, chamado GPGPU, que trás grande ganhos de desempenho em algumas áreas, como criptografia, processamento de imagem, conversão de vídeos. A Nvidia apostava na linguagem Cuda, enquanto a ATI (atual AMD) no OpenCL, que Nvidia também a suporta.

OpenCL (Wikipédia)
A vantagem do OpenCL é que ele é desenvolvido por uma associação de vários fabricantes, assim é compatível com diversas GPUs, mesmo as PowerVR para celulares e até em processadores x86, enquanto o Cuda é exclusivo das Nvidias. Essa tecnologia é estratégica para AMD, pois recentemente ela lançou processadores com GPU muito forte, integrada a CPUs não tão bons, então é fundamental que esse processador gráfico seja bem utilizado. Existe até um programa bem interessante para mostrar o uso da CPU e GPU nesses processadores.

Não tenho certeza do motivo, mas provavelmente é devido a Globalfoundries não conseguir produzir em quantidade suficientes. A linha Ax, que inclui os processadores A4, A6 e A8, é bem difícil de encontrar no Brasil, no site oficial da AMD em português nem aparece. É chato isso, pois poderia fazer muito sucesso com montadoras brasileiras de computadores, pois esse processadores tem uma capacidade incrível para jogos, além de ter drivers gráficos maduros. Para adolescentes que querem jogar no computador é uma opção muito mais viável que um Core i3, já que a GPU de alguns deles tem um desempenho comparável a uma Radeon 5550.

AMD FX (Bulldozer) - (fonte)
No final do ano passado a AMD lançou a nova arquitetura de processadores conhecida como Bulldozer, com processadores com 4, 6 e 8 núcleos. Cada dois núcleos dividem algumas unidades, uma espécie de meio termo entre hyper-threading e dois núcleos reais. Essa arquitetura foi um gigantesco fracasso. Na minha opinião o desempenho dele em si não foi tão ruim, em tarefas que usam vários núcleos ele tem um bom desempenho, sendo um pouco melhor que os i5 da Intel.

O problema aparece em aplicativos que usam um ou dois núcleos (repare no teste do iTunes), onde o processador, apesar de ter muitos núcleos, individualmente eles são bem fracos. Isso não é um problema tão grande, já que aplicativos que não são otimizados para vários núcleos desempenham funções "leves" onde faria pouca diferença um processador mais potente. É importante lembra que o gerenciador de tarefas do Windows (na verdade o escalonador...) não é ideal para essa arquitetura e os benchmarks foram feitos com a versão atual, existe um hotfix para o 7 e a promessa de uma versão melhorada para o Windows 8, mas as melhoras não devem nem chegar a 10%.

Pastilha de Silício do Bulldozer (fonte)
Na realidade o maior problema da arquitetura é em relação ao consumo extremamente alto. Em idle (ou seja, com o computador sem fazer nada) ele nem gasta muito mais que um Core i7, apenas uns 7 Watts a mais. No entanto em uso intenso a coisa complica, ele consome quase 100 Watts a mais que i5 e 70 a mais que um i7, é uma diferença muito grande.

A não ser que a AMD faça grandes mudanças no chip, não apenas os 15% de melhora que ela prometeu na próxima geração, o futuro dela estará nos chips Fusion, não no mercado de alto desempenho. Uma estratégia que poderia dar certo é começar a vender os Ax para grandes integradores (como a Positivo no Brasil) e distribuir um jogo junto, talvez Dirt 3, como já ocorreu em recentes campanhas de marketing dela. Em lojas populares faria muito sucesso as pessoas vendo o jogo rodando.

Agora indo para o lado da Intel. Na CES 2012 foi apresentado um processador Atom para Smartphone, concorrendo com a arquitetura ARM. Aparentemente ele tem um ótimo desempenho e o consumo de energia é muito bom. Ainda ninguém fez nenhum review completo do Smartphone pare ver se isso é verdade na prática.

Lenovo K800 com Intel Atom (fonte)
O principal problema é que, apesar dos aplicativos rodarem em cima de uma máquina virtual Java, sendo independente da arquitetura do processador, os aplicativos mais pesados, como jogos, fazem uso de instruções diretas ao processador. A Intel promete que através de um emulador 90% dos aplicativos rodem sem problemas, a questão é ver se o desempenho e consumo de bateria são viáveis.

No começo do ano passado a Intel lançou a nova linha de processadores conhecida como Sandy Bridge. A maioria desses processadores conta com um recursos chamado Quick Sync que permite conversões de vídeos de alta definição com uma velocidade muito superior ao anteriores. É importante perceber que a qualidade da conversão é superior a usando a GPU, que nas placas Nvidia são muito ruim. Pretendo escrever sobre esse recurso comparando a velocidade de uma Radeon HD, um Core 2 Duo e de um i3 usando ou não o Quick Sync.

Nenhum comentário: