12 de julho de 2011

Algumas visões sobre a Energia Nuclear no Brasil e no mundo

Usina nuclear (fonte da imagem)
A energia nuclear é um tema que sempre desperta discussão, por ainda não ter uma resposta definitiva sobre seu uso. De um lado está quem apoia a tecnologia, como uma amiga que faz iniciação cientifica sobre o tema na UFABC, do outro há quem seja contra. Até me acusaram de não ter uma opinião definida sobre o tema e "ficar em cima do muro", mas não é exatamente isso que acontece.

O desenvolvimento da tecnologia nuclear se iniciou principalmente durante a segunda guerra mundial, apesar das pesquisas que a sustentavam datarem de muito antes. Os EUA temiam a possibilidade da Alemanha desenvolver uma bomba atômica, devido a informações obtidas de cientistas exilados do Nazismo. Em 1939, Albert Einstein, motivado por seu amigo Leo Szilard, um físico húngaro, envia uma carta ao presidente Roosevelt alertando a possibilidade. Em 1942 é iniciado o Projeto Manhattan que culminou no desenvolvimento das bombas atômicas lançadas sobre o Japão.

Foto de uma explosão nuclear (fonte)
Posteriormente outros países também desenvolveram a tecnologia nuclear para fins militares, como: a União Soviética em 1959 (ficando seu arsenal para a Rússia), seguindo de Reino Unido (1952), França (1960), China (1964), Índia (1974) e Paquistão (1998). Uma fato interessante é que os 5 primeiros países a dominar a tecnologia são os 5 integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (coincidência?), o órgão que autoriza ou não intervenções militares, como ocorreu recentemente com a Líbia.

A indústria desses países também foi fortemente beneficiada devido aos conhecimentos nucleares. Empresas americanas como a General Electric e a Westinghouse desenvolveram reatores nucleares para geração de energia e venderam ao mundo todo. A usina de Angra 1 no Brasil foi comprada da Westinghouse, enquanto Fukushima Daiichi da General Electric. Mas não só países com armas nucleares desenvolveram tal tecnologia, a Alemanha, através da Siemens, também. A usina de Angra 2 foi comprada da Alemanha no acordo nuclear Brasil-Alemanha.

Reator de Angra II (fonte)
Um assunto bem comentado atualmente é o Irã que, assim como o Brasil, assinou um acordo com a Alemanha para a construção de usinas. Com a revolução Islâmica de 1979, o governo alemão se retirou do acordo, mas posteriormente continuou a construção em parceria com a Rússia. O medo do mundo em relação a isso é que se um país tem tecnologia para refinar urânio, pode, com algum esforço, desenvolver armas nucleares. O próprio Brasil, poucos anos atrás, foi acusado de ter um programa nuclear com objetivo de ter a bomba, mas o assunto foi esquecido pela imprensa internacional quando a Coreia do Norte e Irã entraram em pauta, até porque o seu desenvolvimento é proibido pela constituição de 1988.

Agora voltando muito anos ao passado, pouco tempo depois do acordo entre Brasil e Alemanha, que ocorreu em 1975, foi iniciado em segredo um programa paralelo para o desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear. Como fruto disso, em 1987 o presidente José Sarney anuncia que dominamos o ciclo de enriquecimento de urânio e o programa, antes clandestino, se fundiu ao oficial.

Urânio (fonte)
O Brasil tem a 6ª maior reserva de urânio do mundo, como domina o ciclo de enriquecimento, pode vender ele já enriquecido, agregando ainda mais valor ao minério. Como foi visto acima, além da área militar a geração de energia nuclear pode trazer ganhos econômicos para um país, e mesmo para fins militares, infelizmente, ainda é um método de persuasão, visto que, como já foi dito, o conselho de segurança permanente é formado pelas 5 primeiras potências nucleares.

Ainda existem pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a de fusão nuclear, reação que ocorre no sol. Suas vantagens seriam grandes, como usar o hidrogênio, um combustível abundante, gerar muita energia com pouco combustível, além de não poluir (cuidado para não confundir com células de hidrogênio, outra forma de geração de energia recente). Como se trata de uma tecnologia que ainda esta em desenvolvimento e usa muito dos conhecimentos da era nuclear, os países que já dominam a tecnologia saem em grande vantagem, no entanto ainda não foi alcançado nenhum resultado prático.

Usina Hidrelétrica de Itaipu (fonte)
Um tema muito em pauta são os impactos ambientais que as diversas formas de geração de energia causam. A nuclear gera resíduos que atualmente não tem nenhuma forma de descarte, devem ficar guardados "para sempre". Além disso, apesar dos sistemas de segurança, existe o risco de acidentes que podem ter graves consequências, por outro lado praticamente não gera dióxido de carbono, sendo assim contribui muito pouco para o efeito estufa. Como o Brasil é um país rico em recursos hídricos, a energia hidrelétrica é uma melhor opção, pois tem custos muito menores e menor risco de operação.

Para tudo é necessário um ponto de equilíbrio, não se comenta tanto, mas a energia solar e eólica têm uma eficiência baixíssima, que as tornam impraticáveis ao uso em larga escala. Na energia solar são necessárias baterias que tem pequena vida útil e contam com componentes tóxicos, enquanto a eólica emite muito ruído, tendo que ficar longe de centros urbanos. Logo sobram 3 formas de geração de energia, hidrelétrica, termelétrica e nuclear. A termelétrica é responsável em grande parte pelo efeito estufa, portanto seria bom um país que não tem grande potencial hidrelétrico utilizar um pouco de energia nuclear para diminuir a emissão de dióxido de carbono.

Também é importante ressaltar, como já foi dito, que por motivos estratégicos e tecnológicos é importante que mesmo países com gigante potencial hidrelétrico invistam em tecnologia nuclear. Para o Brasil, por exemplo, seria interessante a construção de mais usinas, para diminuir os efeitos de uma eventual estiagem, como ocorreu em 2001, mas nunca passando de 10% em sua matriz energética. Além disso, nas universidades e institutos de pesquisa o Brasil conta com grandes cérebros que possibilitariam pesquisa de ponta na área nuclear, faltam apenas mais investimentos.

Nenhum comentário: